
Quando a dor na articulação vai além do desgaste.
A dor articular é uma das queixas mais frequentes no consultório, mas também uma das mais mal compreendidas.
Muitas pessoas convivem com dor no joelho, quadril, ombro, mãos ou tornozelo e recebem explicações genéricas, como artrose ou inflamação, sem entender por que a dor persiste ou não melhora.
A avaliação da dor articular vai além do exame de imagem ou do nome de uma doença. Ela envolve compreender como a articulação funciona, como o corpo se movimenta e como o sistema nervoso participa da dor.
O que é dor articular (e o que ela não é)
Dor articular é a dor que se origina nas estruturas da própria articulação. Dependendo do tipo de articulação, essas estruturas podem incluir cartilagem, osso subcondral, cápsula articular, membrana sinovial e ligamentos.
Cada articulação é diferente. Articulações como joelho, quadril e articulação temporo-mandibular (ATM) têm cápsula e sinóvia bem definidas; outras dependem fortemente das estruturas ao redor. Isso muda tanto a origem quanto a forma da dor.
nem toda dor articular é inflamatória
nem toda dor articular é sinônimo de artrose
nem toda dor aparece claramente nos exames de imagem
Alterações em radiografias ou ressonâncias são comuns com o passar dos anos e nem sempre explicam a dor sentida. Por isso, a avaliação clínica é fundamental para identificar o real mecanismo da dor.
Por que dores articulares são tão diferentes entre si?
Duas pessoas com exames semelhantes podem ter dores completamente diferentes — e precisar de tratamentos distintos.
Isso acontece porque a dor articular pode envolver:
Identificar qual desses fatores predomina é o que direciona o tratamento correto.
É comum ouvir relatos como: “o exame não mostra nada importante, mas a dor continua”, “já tentei vários tratamentos e nada resolveu” ou “a dor não combina com o que aparece na imagem”. Esses são sinais de que a avaliação precisa ir além do básico.
Algumas dores chamam atenção pela forma como se apresentam. Dores que surgem ou pioram à noite, rigidez que demora a melhorar ao longo do dia, perda progressiva de função ou limitação para atividades simples costumam indicar que há mais de um fator envolvido.
Da mesma forma, quando tratamentos convencionais falham repetidamente ou quando há dúvida entre artrose, inflamação ou dor de estruturas ao redor da articulação, insistir na mesma abordagem raramente traz bons resultados.
Nessas situações, compreender o mecanismo que está sustentando a dor faz toda a diferença. Tratar apenas o que aparece no exame pode levar a intervenções desnecessárias e pouco eficazes.
É nesse ponto que a avaliação por um especialista em dor se torna importante. Em vez de olhar apenas para uma articulação isolada, a análise integra informações que muitas vezes ficam fragmentadas entre diferentes consultas, exames e tratamentos prévios. Precisamos olhar:
A consulta começa pela escuta atenta da sua história. Entender quando a dor começou, como evoluiu e o que interfere no seu dia a dia é fundamental para compreender o quadro.
Em seguida, avalio o padrão da dor, identificando qual a sua característica, que pode ser mecânica, inflamatória, muscular, neuropática ou relacionadas à sensibilização do sistema nervoso.
Também observo movimento e função, e não apenas a articulação isolada. Marcha, amplitude de movimento, compensações e sobrecargas são avaliadas com cuidado.
Os exames de imagem são revisados de forma crítica. Nem todo achado explica dor — e nem toda dor aparece no exame. O exame complementa, mas não substitui o raciocínio clínico.

O tratamento da dor articular raramente depende de uma única estratégia. Ele costuma envolver uma combinação de abordagens, como:
O objetivo é reduzir a dor, melhorar a função e devolver autonomia, evitando tratamentos excessivos ou desnecessários.
Antes da consulta, vale a pena responder a questionários específicos para dor articular, pensados para serem respondidos em casa, com calma.
Eles ajudam você a perceber como a dor se comporta em repouso e em movimento, quais atividades pioram os sintomas e como isso afeta sua funcionalidade no dia a dia. Muitas pessoas passam a entender melhor a diferença entre dor, rigidez e limitação.
Na dor articular, esses detalhes fazem diferença. Ao responder aos questionários, você chega à consulta mais preparado e contribui para uma avaliação mais precisa e um plano de tratamento mais adequado ao seu momento e às suas necessidades.